
Maputo, 04 de setembro de 2025 – Gloria Monteiro da Costa Nobre Chire, de 59 anos, responsável das finanças do ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, foi posta em liberdade provisória pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo após ter estado detida preventivamente por alegados crimes contra a segurança do Estado.
A docente universitária reformada, viúva e natural do Distrito de Mutatara, Província de Tete, tinha sido detida no final da manhã de uma quarta-feira na sua residência em Maputo por um contingente policial, no âmbito das consequências jurídicas decorrentes das contestações pós-eleitorais de 2024.
Acusações e Contexto Político
O processo judicial, com o número 179/SIC/2025, enquadra Gloria Monteiro por crimes de tentativa de alteração violenta do estado de direito, associação criminosa e conjuração ou conspiração para a prática de crime contra a segurança do Estado – acusações que se inserem no contexto mais amplo das manifestações e contestações eleitorais lideradas por Venâncio Mondlane.
A prisão de Gloria Monteiro fez parte de uma vasta operação judicial, com o Ministério Público moçambicano a instaurar um total de 742 processos-crime relacionados com as manifestações pós-eleitorais que se seguiram às eleições presidenciais de outubro de 2024.
Denúncias de Maus-Tratos
Venâncio Mondlane denunciou publicamente que a sua “mandatária” tinha sido “detida e torturada psicologicamente”, acrescentando que Gloria foi impedida de contactar a família e o advogado durante 48 horas. O ex-candidato presidencial classificou-a como “presa política”, inserindo o caso no quadro mais amplo da contestação aos resultados eleitorais.
Segundo relatos da família, o motivo da detenção não tinha sido inicialmente esclarecido pelas autoridades, criando incerteza sobre as razões específicas da prisão preventiva.
Libertação e Medidas Cautelares
O mandado de soltura, assinado pela Dra. Cláudia Latifa Amad Bay Barros, Juíza de Direito da Secção de Instrução Criminal, determina que Gloria Monteiro seja restituída à liberdade provisória mediante Termo de Identidade e Residência, conforme previsto no artigo 313º do Código de Processo Penal.
A arguida, que reside no Bairro Alto Maé, Av. 24 de Julho nº 3530, 9º andar, flat 18, em Maputo, deverá cumprir as medidas de coação impostas pelo tribunal enquanto o processo criminal prossegue.

Impacto no Panorama Político
O caso de Gloria Monteiro ilustra a extensão das repercussões jurídicas das contestações eleitorais em Moçambique, afetando não apenas os principais protagonistas políticos, mas também as suas equipas de apoio. A sua função como responsável financeira de Venâncio Mondlane coloca-a numa posição central nas investigações sobre as atividades do ex-candidato presidencial e das manifestações que se seguiram às eleições.
Este episódio continua a alimentar o debate sobre a natureza política ou criminal dos processos judiciais instaurados no período pós-eleitoral, numa altura em que Moçambique enfrenta tensões decorrentes da contestação dos resultados eleitorais de 2024.
