
Maputo, 27 de Junho de 2025 — A jurista moçambicana e ex-primeira-dama de Cabo Verde, Lígia Dias Fonseca, criticou duramente a cerimónia simbólica da passagem da tocha da unidade nacional, realizada no Estádio da Machava, e acusou os sucessivos presidentes moçambicanos — Joaquim Chissano, Armando Guebuza, Filipe Nyusi e Daniel Chapo — de perpetuarem um regime marcado por atraso, corrupção e opressão.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, Fonseca lamenta que a chamada tocha da unidade tenha sido usada para mascarar décadas de má governação sob liderança do partido FRELIMO. “Estes homens conduziram Moçambique ao atraso, à miséria, instalaram e consolidaram a corrupção em todo o aparelho administrativo e vivem na opulência”, escreveu.
A advogada destaca ainda problemas estruturais como o analfabetismo, a pobreza extrema, a desigualdade no acesso à justiça e aos serviços de saúde, especialmente fora da capital. “A promessa de desenvolvimento feita há 50 anos, nesse estádio da Machava, não foi cumprida”, declarou.
Lígia Fonseca instou o atual Presidente da República, Daniel Chapo, a pedir desculpas públicas pelos 50 anos de governação da FRELIMO, que classificou como “desgoverno”. Em tom contundente, concluiu: “Não queremos essa chama de continuidade de opressão, incompetência, corrupção. Ela não é luz, é fogo que mata a esperança dos jovens.”

A intervenção da ex-primeira-dama cabo-verdiana soma-se a um crescente coro de vozes críticas que questionam a legitimidade e eficácia do atual regime moçambicano.
