Governo ignora Mpox e diz que ainda não precisamos de vacinas e número de casos tem vindo a crescer de forma alarmante.

O Governo de Moçambique garantiu recentemente que o surto de Mpox (anteriormente conhecida como varíola dos macacos), registado no país desde Julho, ainda está sob controlo e que, por isso, não há necessidade de vacinação no momento. A decisão tem gerado críticas de especialistas e preocupações nas comunidades afectadas, sobretudo na província do Niassa, onde a maioria dos casos foi registada.

Até ao dia 29 de Julho de 2025, o país contabilizava 17 casos confirmados de Mpox, todos concentrados no distrito de Lago, em Niassa. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde (INS), os doentes encontram-se clinicamente estáveis e em isolamento domiciliar, sob vigilância sanitária. Não há, até agora, registo de óbitos.

Além dos casos confirmados, existem cerca de 92 casos suspeitos espalhados por nove províncias: Niassa (57), Tete (8), Maputo Cidade (7), Maputo Província (7), Manica (4), Zambézia (3), Cabo Delgado (3), Nampula (2) e Sofala (1). Apesar deste alastramento geográfico, as autoridades sanitárias insistem que o surto é localizado e controlável com medidas não farmacológicas.

Sem vacinas, mas com vigilância

O director do INS, Ilesh Jani, reconheceu a eficácia das vacinas, mas defendeu que a vacinação não é prioritária neste momento. Sublinhou que os imunizantes disponíveis são caros, escassos a nível global e baseiam-se em tecnologias antigas. “Neste momento, a testagem, o rastreio de contactos e o isolamento são suficientes para conter o surto”, afirmou.

A decisão de não avançar com campanhas de vacinação prende-se, segundo o Ministério da Saúde, com a baixa gravidade dos casos registados, a rápida resposta das autoridades locais e o facto de o surto estar limitado a uma região específica. Contudo, o Governo não descarta a possibilidade de, futuramente, preparar um dossiê para solicitar vacinas a parceiros internacionais, caso a situação se agrave.

Estratégia questionada

Alguns sectores da sociedade civil e da saúde pública têm criticado a abordagem do governo, considerando-a reativa e insuficiente. Com o Mpox já presente em quase todas as regiões do país, ainda que sob forma suspeita, especialistas defendem que seria prudente preparar uma resposta mais robusta, incluindo aquisição de vacinas, campanhas de sensibilização nacional e reforço dos recursos humanos nas províncias.

Ainda assim, o Executivo assegura que a resposta em curso é adequada. “Reforçámos a vigilância nas fronteiras, temos equipas de resposta rápida, estamos a monitorar todas as cadeias de transmissão”, explicou um porta-voz do Ministério da Saúde.

Risco de expansão

O Mpox é uma doença viral contagiosa, que se transmite por contacto directo com feridas, fluidos corporais ou superfícies contaminadas. Embora geralmente não seja letal, pode provocar lesões dolorosas, febre, cansaço e complicações em casos graves ou em pessoas imunocomprometidas.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que países com surtos activos tenham planos de contingência que incluam a vacinação de grupos de risco, campanhas educativas e acesso a tratamento sintomático — elementos que, por enquanto, ainda não fazem parte da estratégia moçambicana.

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