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Governo de Madagáscar dissolvido após protestos violentos contra cortes de água e energia

O Presidente de Madagascar, Andry Rajoelina, anunciou esta segunda-feira (29) a dissolução do governo, na sequência de três dias de intensos protestos liderados por jovens contra a escassez de água potável e os cortes de energia elétrica, que deixaram pelo menos 22 mortos e mais de 100 feridos, segundo dados divulgados pela ONU.

As manifestações, consideradas as maiores que o país presenciou em anos, foram inspiradas pelos recentes movimentos da chamada “Geração Z” no Quénia e no Nepal. Jovens malgaxes organizaram-se nas redes sociais e saíram às ruas de várias cidades, exigindo respostas imediatas às falhas nos serviços básicos.

De acordo com relatos, as forças de segurança recorreram ao uso de gás lacrimogéneo e balas reais para dispersar as multidões, após a imposição de um toque de recolher que vigorou do pôr ao nascer do sol. A violência não se limitou aos confrontos com a polícia: gangues aproveitaram o caos para promover saques e confrontos paralelos, agravando o balanço de vítimas.

O governo, no entanto, contestou os números apresentados pela ONU, considerando-os “baseados em boatos e informações incorretas”. O Ministério dos Negócios Estrangeiros não avançou com dados oficiais de mortos e feridos.

Com a decisão presidencial, o primeiro-ministro Christian Ntsay e todo o seu executivo cessam funções, passando a atuar em regime interino até à nomeação de um novo governo.

Apesar da medida, milhares de manifestantes voltaram às ruas, argumentando que a dissolução do governo não resolve os problemas centrais do país. Os jovens exigem ações concretas no fornecimento de água e energia, bem como reformas mais amplas na gestão pública.

Rajoelina, que chegou ao poder pela primeira vez em 2009 através de um golpe de Estado e foi reeleito em 2023, enfrenta agora o maior desafio político do seu atual mandato.

Organizações internacionais pedem contenção e diálogo, enquanto analistas alertam que a crise pode evoluir para uma instabilidade prolongada caso as reivindicações não sejam atendidas.

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