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(FILES) Peruvian President Dina Boluarte gestures upon her arrival to deliver her address to the nation on Independence Day at the National Congress in Lima on July 28, 2024. Lawmakers in Peru unanimously voted on October 10, 2025, to impeach president Dina Boluarte, whose term has been marked by protests and accusations of failing to stem crime. (Photo by Cris BOURONCLE / POOL / AFP)

Parlamento peruano destitui Presidente Dina Boluarte por “incapacidade moral permanente”

Lima, 10 de outubro de 2025 — O Congresso do Peru aprovou esta sexta-feira a destituição da presidente Dina Boluarte, pondo fim a um mandato marcado por protestos, denúncias de corrupção e uma crescente crise de segurança pública. A decisão foi tomada por 124 votos a favor, número superior ao exigido pela Constituição peruana para declarar a “incapacidade moral permanente” da chefe de Estado.

Boluarte, que não compareceu ao plenário para apresentar a sua defesa, foi acusada de negligenciar o combate à criminalidade e de envolvimento em irregularidades administrativas, num contexto de forte desgaste político. O Parlamento justificou a destituição com base na alegada “perda total de legitimidade moral e política” da mandatária.

Após a votação, o presidente do Congresso, José Jerí, assumiu o cargo de presidente interino do Peru, devendo liderar o país até às próximas eleições gerais, previstas para 2026.

A destituição de Boluarte marca mais um capítulo de instabilidade política no Peru, que já viu seis presidentes afastados ou renunciarem desde 2018. Dina Boluarte, que assumiu o poder em dezembro de 2022 após a queda de Pedro Castillo, torna-se assim a segunda mulher a ocupar e perder o cargo presidencial na história peruana.

Analistas locais alertam que a crise poderá agravar-se, uma vez que grupos leais a Boluarte prometem manifestações em várias regiões do país.

“O Peru vive um ciclo de instabilidade institucional sem precedentes”, afirmou o politólogo Fernando Tuesta à rádio RPP. “As destituições tornaram-se parte do jogo político, o que mina a confiança dos cidadãos nas instituições.”

O governo interino deverá agora nomear um novo gabinete e tentar restaurar a ordem pública, num país onde a criminalidade e a desconfiança política dominam o cenário nacional.

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